O que seria de mim se não existissem ao meu redor tantas almas atormentadas pelo inconformismo? Almas que gritam em alto som a dor do ser humano, sofrem e escancaram as suas feridas, que tomo como minhas também? Por que caminhos eu seguiria se faltassem em minha vida aqueles que descortinam a ignorância e me desafiam a reconsiderar, a todo tempo, a existência humana? Sem essa inspiração, talvez eu mergulhasse menos. Provavelmente me conheceria menos também. Talvez eu fosse mais leve. Será que eu seria mais feliz?
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domingo, 20 de maio de 2012
Questionamentos num domingo à noite.
O que seria de mim se não existissem ao meu redor tantas almas atormentadas pelo inconformismo? Almas que gritam em alto som a dor do ser humano, sofrem e escancaram as suas feridas, que tomo como minhas também? Por que caminhos eu seguiria se faltassem em minha vida aqueles que descortinam a ignorância e me desafiam a reconsiderar, a todo tempo, a existência humana? Sem essa inspiração, talvez eu mergulhasse menos. Provavelmente me conheceria menos também. Talvez eu fosse mais leve. Será que eu seria mais feliz?
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O pai da noiva

Minha prima se casou no sábado. Prima irmã única, caçula, que esperava com ansiedade por este momento. Eu fui uma das madrinhas no impecável evento e fiquei emocionada ao passar sobre o tapete, até o altar. O Otavio também. Ele se pôs no lugar do pai da noiva, meu tio. E sussurrou em meu ouvido que não se sente preparado pra viver isso com sua filha, e talvez nunca se sentirá. Fiquei bem quietinha, com cara de "calma, tem muito chão ainda". Mas sei que o tempo voa. E me sinto como ele, totalmente despreparada. Deixa pra lá. Um brinde aos noivos, lindos e felizes!!!
Obs.: papel do bem casado, delicioso, devidamente escaneado pra ilustrar o post de hoje!!!
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Quando a intenção é das melhores

Era algum dia perto do final de janeiro. Ano de 2008. Eu tinha acabado de trazer o Leo ao mundo, estava bem doida, sem dormir. Recebi um e-mail da mãe de uma amiguinha da Olivia para ir à festinha de aniversário dela, em plenas férias. Achei interessante. Uma oportunidade de conhecer melhor os pais das crianças (Olivia tinha acabado de entrar na escola), sair de casa, dar um tempo naquele círculo vicioso amamentar-trocar-descansar (sim, é gostoso, sou a favor do aleitamento, mas tem hora que a gente cansa), e, principalmente, viver um momento feliz a sós com a primogênita. Ela não sofria de ciúmes, mas sentia falta da exclusividade, é claro. O irmão era um "Zé do Peito", mamava de duas em duas horas, então, dá pra imaginar o malabarismo que tive que fazer para que a saída fosse um sucesso. Tirei energia não sei de onde para me produzir um pouco (a vaidade fica comprometida no pós-parto), comprei presentinho, troquei a pequena, linda e ansiosa num vestido vermelho.
O plano era o seguinte: dar de mamar e sair correndo. O Otavio ficaria dando umas voltas de carro pro Leo dormir, enquanto a gente curtiria a festa um pouco. A noite estava chuvosa, não desanimamos. Eu, curiosamente, me apeguei ao evento de maneira atípica. Ele representou a primeira olhada pro mundo depois de dez longos dias em casa. Subimos as escadas do buffet. O som rolava alto e animado lá dentro, a criançada corria, os garçons também. A euforia do "chegar" na festa, somada a uma provável falha oftálmica (enxergar de longe requer muita concentração), não me deixavam reconhecer ninguém. Nenhuma criança, nenhum adulto. Minha filha queria sair correndo pra brincar, "espera um pouco, só vou perguntar uma coisa pra moça aqui... o quê? Não é a festa da Isabele?". Não, a festa da Isabele tinha sido dois dias antes. Cansada, quis chorar como uma criança, havia muito hormônio doido de plantão torcendo para que eu desmoronasse. Mas me segurei, não pegaria bem, então expliquei pra Olivia o engano com a data que até hoje não sei como foi acontecer. Só sei que foi de dar dó, de mim, da Olivia, em igual proporção. Nós, de pé, na porta de entrada (chovia, lembra?), esperando o papai chegar pra nos buscar, no limite da frustração com a diversão. Olivia em pé, quietinha e murchinha, com o presente quase arrastando no chão. Para amenizar o desconsolo, deixei que ela abrisse o pacote lá mesmo. Quando o papai nos viu, caiu na gargalhada. Mais tarde, já em casa, a pequena só quis saber de brincar com o novo brinquedo. E até hoje, quando passamos em frente ao buffet, faz questão de me lembrar do episódio.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Influenza

De perto ninguém é normal. Nem eu. Por isso hoje vou confessar pra quem quiser saber que tenho uma neurose das grandes. Uma neurose que muitos já me disseram não ter fundamento, mas como está no plano das neuroses, esse papo de fundamento fica pra trás: tenho pavor de friagem nas crianças. Não somente da friagem no inverno, com suas temperaturas baixas. É algo maior, independentemente da estação do ano. Pode ser uma ventania prenunciando uma tempestade no verão, ou uma simples brisa de outono. Seja o que for, friagem pra mim é sinônimo de criança doente, o que por sua vez também me tira do eixo, mesmo sabendo que ciclos de doenças são importantes para o amadurecimento do organismo deles. Deixa pra lá, não tentem entender, porque eu também não sei explicar. Só sei que para evitar este meu desconforto vale tudo: bagagens enormes, cheias de opções de roupas, para passeios longos ou curtos; gorros na bolsa, no caso do clima mudar bruscamente; checar, de tempos em tempos, se a criança está gelada (rsrsrs); jamais deixá-los com blusas que expõem o peito; sorvete? Só no calor extremo. Tadinha de mim, às vezes concluo. Tadinhas das crianças, todos devem pensar. Mas essas coisas que parecem maiores que a gente, são difíceis de mudar viu! E olha que já tentei modificar esse padrão, o que requer um esforço mental daqueles. Imaginem só a proporção que a neurose tomou com essa pandemia paranóica da gripe A. Preciso dizer que ainda não mandei minha filha mais velha pra escola?
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Um compositor e dois destinos
Uma ligou pra outra e perguntou:
Onde você está?
No Villa Lobos.
Nossa, tava pensando em ir aí também.
Pois venha, estarei por aqui.
Horas depois, nada de uma encontrar a outra.
Uma tava num canto, outra no outro.
Uma no shopping, a outra no parque.
domingo, 9 de agosto de 2009
Momento XY
Parabéns às figuras paternas deste Brasil verde e amarelo! Dos mais participativos aos meros figurantes, os papais rendem homenagens aqui no (((berreiro))), e também recebem um recadinho (tem algum pai aí???):
Se vocês acham que já fazem o melhor, atenção, o melhor sempre pode ser melhorado. É lindo demais ver a capacidade de superação do ser humano.
Se o mundo é das mulheres, e aqui ninguém ousa refutar esta sublime verdade, eu, em minha humilde consciência, devo registrar que a objetividade masculina pode nos ajudar, sim (afirmativa que vale para os machos exercendo a função de pais, é claro).
Se vocês se perguntam se o que escrevo aqui, mirando a coletividade, na verdade visa sensibilizar meu marido, cuidado, já não disseram antes que todos os homens são iguais???
Por fim, se vocês sentem vergonha alheia e concluem que eu pirei, bem pode ser verdade...estou no auge da TPM, e só quem passa por essa montanha russa hormonal sabe do que estou falando!
De qualquer maneira, (e era só isso que eu deveria ter escrito hoje) feliz dia dos pais, papais!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Luto absoluto

Tô triste. Tão incrédula que, ao ler a manchete da morte do ídolo pela primeira vez, achei que talvez o furo de reportagem fosse, como muitas vezes a ansiosa imprensa se mostra, um erro. Não. As horas se passaram e criou-se um buraco no coração. Um silêncio que só poderia ser quebrado pela magia do som daquele que dividiu as águas na música pop. O que ele foi como ser humano, nem penso. Essa é uma bagunça que não me diz respeito.
Agora, pra esse post ficar mais divertido, relembro um episódio que vivi com a Olivia ano passado, quando ela tinha acabado de fazer três anos...
Na ânsia de mostrar a música incrível de Michael Jackson, surpreendi a pequena numa tarde chuvosa de sábado, com um balde de pipocas na mão, dizendo que assistiríamos a uma coisa sensacional. Escolhi a dedo a faixa do DVD e...pasmem! Num lapso sem-noção, fui direto na Thriller!!! Aqueles monstros que até hoje me assustam começaram a aparecer, a Olivia de boca aberta, eu desacreditando no que tinha acabado de fazer, mudei a faixa, ela começou a chorar, queria ver, eu queria me matar e ao mesmo tempo ver também, a música começou e quem ficou de boca aberta fui eu. Mais uma vez, como sempre. A monstrolândia dançando, eu imitando (quem nunca tentou essa?), rindo e cantando, e a Olivia...hipnotizada. Voltei no tempo, e me vi no lugar dela, quando vi o clip pela primeira vez. Só que dessa vez fui longe demais. Ansiosa demais. Efeito Michael Jackson...
Alguém tem dúvidas por que a Lili acordou assustada naquela noite?
terça-feira, 16 de junho de 2009
Louca do bem
Acabou de acontecer. E eu posto pra não esquecer. Como ninguém filmou, registro em palavras a minha última trapalhada, testemunhada pelas crianças. Banheira cheia, crianças fofas e felizes peladas, tomando o banho de cada dia, celebrando o hoje. Terminadas as tarefinhas de ensaboar, passar o xampu e enxaguar, resolvi virar criança com eles e brincar. Fiz minhas palhaçadas famigeradas, perdi o equilibrio e, ao tentar ajoelhar, enfiei metade de meu corpo na banheira, incluindo meu rosto. Recobrei a sanidade, tive um ataque de riso sem fim, pingando, enquanto os dois me olhavam um pouco espantados. Se eles soubessem se expressar como os adultos, provavelmente diriam "mãe, cê tá ficando louca?". Acho que sim, mas sou uma louca do bem, alucinada pelos filhos. Ainda bem!
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Sete dias longe de casa

Adoro o número sete, forte e misterioso.
Longe da rotina, perto do Pacífico, tive bastante tempo pra pensar. Depois de muita energia empregada, organizei toda a bagunça de minha cabecinha que nunca pára em sete grandes grupos de reflexões. Lá vão:
1 - A saudade de mãe comprime os órgãos, em especial o coração.
2 - A hostilidade oprime tanto quanto a inveja, quer queira, quer não.
3 - Quanto mais longe estamos, mais perto queremos ficar.
4 - Raiz é raiz, sempre deixa seu rastro na terra, mesmo quando a planta muda de lugar.
5 - Criança é criança, não importa a realidade.
6 - Ninguém escapa da válvula de escape.
7 - Momento Tostines: a crise existe porque o mundo está chegando ao fim, ou o mundo chegará ao fim por causa da crise?
Lendo o que escrevi percebo que pirei de vez. Tudo bem. Tento explicar depois. Cada item, uma postagem futura diferente.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Ooopssss!
Quando a gente prioriza alguma coisa, o resto vira resto (jura? Haha!). Eu venho me preparando para uma viagem de uma semana sem a criancada e, na loucura de deixar tudo organizado pra eles nao sentirem tanto minha falta, simplesmente negligenciei a data do embarque!!! Por sorte recebi uma ligacao de meu marido no dia, horas antes (que ja estava me esperando no destino), perguntando se eu estava a caminho do aeroporto. Nao preciso dizer que rolou um panico geral, correria insana, pois nem tinha arrumado as malas! As criancas eram minha maior preocupacao e nessas eu me perdi pra valer! A vida e assim...mas a sabedoria manda improvisar! So resta saber o que vai faltar na minha bagagem, ou o que trouxe inutilmente, pois eu estava fora do ar enquanto jogava as roupas dentro da mala!
Cheguei agora ha pouco e, ate organizar o fuso e a cabeca confusa, darei uma sumida! Mas, quando voltar, muitos relatos fresquinhos! Preciso aproveitar esses dias de segunda lua-de-mel!!! Ate breve.
Obs.: nao tive condicoes de desvendar os segredos deste teclado gringo, entao conformem-se com o texto mal acentuado!
quarta-feira, 11 de março de 2009
Esgromelos ilucopúrios

É aquela velha história da faca de dois gumes...
Fechar os olhos para o que acontece na política do país abre um perigoso caminho para a nossa vulnerabilidade na hora de uma eleição, quando corremos o risco de eleger quem realimentará a roda da corrupção. Por outro lado, estar a par de tudo o que rola traz pra nossa vida um desgosto comparável à decepção de uma criança de castigo.
Desde que a Olivia nasceu deixei, pela falta de tempo e pela preguiça, de acompanhar cotidianamente as notícias do Brasil. E isso acabou virando um costume de certa maneira agradável, pois passei três ótimos anos na superficialidade, regada a contos de fadas, desenhos e fantasias. Felicidade pura.
Só que ontem resolvi dar uma atualizada no mundo real, e o que li foi assustador. Sarney e Collor em posições estratégicas no governo??!!! O que é isso??? Dizer que tudo isso é um circo, que todo mundo é palhaço, é uma sacanagem com os circos e com os palhaços. Dizer que esses políticos são uns porcos, é uma sacanagem com os pobres porquinhos. Só me resta inventar uma palavra especial para esse tipo de gente, talvez esgromelos ou ilucopúrios, a exemplo do que fazem as crianças. Ou, melhor ainda, voltar para o mundo infantil, inocente e puro, intenso e despretensioso, alegre e verdadeiro. E então, quando meus filhos crescerem, quando a realidade endurecer, vou torcer para que todo o meu esforço em formá-los cidadãos bacanas e conscientes tenha resultado, para que eles façam a diferença!!!
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