quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Invenções num feriado chuvoso

Uma máquina fotográfica. Dois filhos cheios de minhocas na cabeça. Uma mãe doida pra espantar o tédio. Combinação perfeita para o feriado de 15 de novembro, que não deixou ninguém sair de casa por conta dos litros de água que caíram do céu.
O roteiro foi saindo conforme pensávamos nos cliques que viriam pela frente. Os pequenos escolheram seus adereços e se envolveram na história com muita diversão. Eu, sem tripé, apoiei minha câmera na escada portátil e deixei a coisa fluir naturalmente. Sem preocupações técnicas, afinal, não entendo nada de técnica. Pra amarrar tudo, uma trilha editada com cuidado, mas abusando do non-sense. É deliciosa essa liberdade que as crianças nos dão!
Depois de tudo pronto, fica a sensação de que novos vídeos virão...aguardem! E assistam!
video

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

No dia das crianças


No dia de hoje, penso nos meus filhos, mergulho no meu papel de mãe. Mudo. Tento me imaginar criança, olho pro mundo adulto com certa inocência, e não entendo muita coisa. Questiono o complicado, simplifico grandes questões, e muitas vezes não sou compreendida. Recebo as novidades, negocio os limites, mas me perco nas explicações dos outros. Percebo os valores, imito as virtudes, e na mesma medida repito os defeitos. Não sei quando devo avançar, não sei quando devo recuar, não compreendo quando devo me calar. Preciso me sentir segura, preciso receber amor, mereço respeito à minha individualidade.
No dia de hoje, penso nos filhos do mundo, nos pequenos que sofrem. E, ao invés de sacolas cheias de presentes, desejo que os adultos que os rodeiam tentem pensar como crianças, por ínfimos instantes. Desejo que pais, tios, avós e cuidadores sejam capazes de refletir, de buscar a lucidez, de ter muita paciência. Quem sabe, assim, muitos sejam poupados do sofrimento desnecessário.
Feliz dia das crianças, apesar de toda a carga consumista que o 12 de outubro carrega!

domingo, 18 de setembro de 2011

Nem tudo se pode entender



É muita carga no lombo
Que se eu paro, eu tombo
É um fardo estranho
Uma confusão de hormônios

É uma fuga no tempo
Que eu abraço e alimento
É uma falta preenchida
Um sorridente lamento

É contar com a sorte
Que às vezes me descobre
É um foco no escuro
Uma serena desordem

É um vazio pra se lembrar
É um desejo a distorcer
É viver e revelar
Que nem tudo se pode entender

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fluxo cotidiano


A cachorra está latindo, que bom que a Benedita já chegou, "bom dia, crianças", "manhê, quero leite", "manhê, quero fazer xixi", tenho pouco tempo pro café, a geladeira está vazia, tô sem ideia pro lanche da escola, "precisa trazer a 'mistura' também", mas que trânsito, não acho meu celular tocando na bolsa, preciso checar meus e-mails e mandar umas calças pra arrumar, "débito ou crédito, senhora?", esqueci minha sacola retornável, não sei por que esse povo gosta tanto de buzinar, o freio do carro está estranho, "ainda não pôs o maiô da natação, filha?", não vai dar tempo de tomar meu banho agora, "você viu que eu consegui fazer a borboleta, mãe?", "corre pro carro senão chegaremos atrasados na escola", parece que o tempo vai mudar, esqueci de entregar o comprovante de residência pro Otavio, "lavem as mãos antes de comer", não sei se ligo de volta pra minha amiga ou tomo um banho, queria ter mais tempo pra ficar lá fora ouvindo os passarinhos, preciso carregar o celular, não consigo nunca terminar os livros que começo.
Depois de deixar as crianças na escola eu vejo se termino a música ou vou pra aula de capoeira, esqueci o CD na mesa da sala, "parem com essas provocações", qualquer hora eu pego um motoqueiro, "manhê, olha essa careta", "não posso, estou dirigindo", que bom que a estrada está fluindo, faz tempo que não vou ao dentista, eu me sinto péssima na TPM, olha aquela vaga excelente, não tinha percebido que o Leo dormiu, parece que esqueci alguma coisa, adoro andar a pé de mãos dadas com os dois, "boa aula, filha", "divirta-se, filho", algumas horas sozinha pela frente, "preciso de um favor, Dani", lá vem, vivo pros outros, nunca mais escrevi no blog, minhas unhas estão indecentes, quero muito fazer um curso de fotografia, tenho que comprar ração, tem uma gripe querendo me pegar, que dia é hoje?
Quero tomar um chazinho e um banho quente, a aula foi puxada, mais um dia sem mexer no meu disco, tudo não dá, preciso urgente de uma dermatologista, acabou a pasta de dente, não sei que roupa vestir, o tempo voa, já tenho que sair, esqueci de pagar os impostos, malditos impostos que vão pro bolso de alguém, que dor nas pernas, essa hora me dá uma fome-monstro, "alô, Daniela, é o Joel, da Kombi que você bateu", caramba, esqueci de fazer o depósito dele, as vinhetas dessa rádio me deixam ansiosa, a gasolina está no fim, não vai dar tempo de calibrar os pneus, aquela vaga está boa, ô gente estressada no trânsito, daqui a pouco o sinal toca, "Manhê, você não trouxe ainda as figurinhas pra escola?", "não tive tempo, filha", "você nunca tem tempo, mãe...você precisa tentar melhorar, viu?", deu branco no meu pensamento.





quarta-feira, 18 de maio de 2011

Mais dicas


No fim de semana, numa rápida passada pela Livraria Cultura, avistei uma novidade nas prateleiras dedicadas à Música Infantil. Trata-se do novo projeto da Banda de Boca, de Salvador, lançado pela Biscoito Fino. Com um repertório super bacana, extraído da MPB, o CD é delicioso. Os arranjos não subestimam os ouvidos infantis, é cheio de acordes dissonantes, e garantiram bons momentos com a turminha daqui de casa!

terça-feira, 17 de maio de 2011

E por falar em cultura indígena...


Daniel Munduruku, do povo Munduruku (região Norte do Brasil), possui a bela missão de registrar as histórias de seu povo e disseminá-las mundo afora. Graduado em filosofia, doutorando em educação, escreveu dezenas de livros para crianças, jovens e adultos, aproximando o homem branco desta cultura tão rica e fascinante. Aqui em casa começamos pelo Kabá Darebu (foto acima, da capa do livro), destinado aos menores, que retrata a vida de um pequeno índio na aldeia, descrevendo seus costumes, brincadeiras e tradições. Divertido e esclarecedor!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Toca da Raposa

Um post diferente hoje. Pouco texto, muitas imagens. Pois é difícil retratar com fidelidade o que vivemos ontem na Toca da Raposa. Índios, brancos, adultos e crianças numa convivência rica em descobertas. Um intercâmbio cultural emocionante, especial e inesquecível. Eu recomendo!







segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pequenos indivíduos


"Manhê, a Olivia já soltou o cinto de segurança!!!", gritou o Leo do banco de trás.

"Léo, que tal cada um cuidar do que é seu??!", emendou a Olivia, implacavelmente.

Mamãe ficou muda. E refletiu muito sobre a frase. Se cada um cuidasse somente do que é seu, que bom seria, hein?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Lanternas e histórias...


Quarto das crianças sem luz. Algumas semanas assim, por preguiça de subir numa escada e rosquear uma nova lâmpada, fiquei acostumada com a nova configuração. Dias no escuro, sem que nossa rotina fosse alterada, sem que tivéssemos qualquer dificuldade em transitar entre as pequeninas camas ao anoitecer. Na necessidade de escolher alguma peça do guarda roupa, uma lanterna resolvia o problema. Nos momentos de "medinho" da escuridão, uma grande oportunidade surgia para descobrir maneiras de vencê-lo. Nas dificuldades, percebia uma nova chance de encontrar diferentes caminhos para se interagir com o espaço, mesmo que todo o resto da casa estivesse iluminado. E, na hora de contar a história antes de dormir, um ritual nasceu...

Os dois deitadinhos se preparam para o momento. Pupilas dilatadas, olhinhos brilhando, silêncio absoluto. Com o livro numa mão e uma lanterna na outra, começo a desvendar o enredo da noite. E enquanto leio as páginas, vou iluminando somente o que interessa, seja um detalhe da ilustração, os personagens num momento de diálogo, ou até mesmo o meu rosto expressando alguma emoção. Aproximo e afasto o feixe de luz, faço movimentos com a lanterna, deixo a escuridão reinar ao virar uma página. É mágico. As crianças adoram ouvir, não se distraem, e vão relaxando pra hora do "boa noite".

Mesmo depois de instalada a nova lâmpada, não conseguimos abandonar este ritual. É só escolher o livro da noite, que eu logo vejo uma mãozinha apertar o interruptor. Talvez não seja grande novidade pra muita gente, mas eu considero uma das grandes surpresas vividas neste ano. E, se é bom, por que não contar? Apague as luzes pra começar!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Quem comanda quem?


Depois da centésima ordem do dia, Olivia solta essa:
"Mãe, por que é sempre você que está no comando? Isso não é justo!".

E assim vejo o despertar de mais uma inconformada no mundo...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A morte da libélula


Chegamos em casa e avistamos uma pequena libélula enfeitando a parede ao lado da porta do quarto das crianças. Com suas asas transparentes, parecia ouvir os gritos eufóricos de boas vindas dos pequenos, pois subitamente começou a voar acima de nossas cabeças. Virou amiga da família, nossa nova hóspede, e passou a se chamar Rebeca. A todo momento, no entra e sai de nossa rotina, Olivia e Leo saudavam Rebeca com um "oi" feliz. Até eu entrei nessa brincadeira, e desconfiei que ela pudesse estar realmente feliz com a gente por perto. E, na dúvida, engrossei o coro de "boa noite, Rebeca, até amanhã", logo antes de dormir.
Os passarinhos acordaram as crianças no dia seguinte, que me acordaram aos gritos, com a Rebeca nas mãos. "Mãe, ela estava no chão, o que será que aconteceu?", perguntava Olivia. "Ela tá dodói", repetia o Leo. Sem se mexer, a libélula estava claramente morta. Eu, quieta, numa mistura de sono, receio e curiosidade, aguardei as reações dos dois, que mobilizaram a casa toda naquela manhã. Aconchegaram Rebeca num potinho, juntamente com umas folhas pra ela comer e uns pingos de água pra beber. Incorporaram dois médicos a tratar de uma paciente no hospital, na tentativa de salvá-la. E, ao constatarem a morte da pequena amiga, mudaram o rumo de meu dia.
Sentada no sofá, com Rebeca nas mãos, Olivia explodiu num choro. Choro sentido, com litros de lágrimas caindo, lamentando a perda (Leo, por ser mais novo, elaborou de uma maneira diferente e, no minuto seguinte, brincava com seus carrinhos pelo chão). Ela havia percebido a irreversibilidade da morte. Dizia, soluçando, que não queria que ninguém no mundo morresse. Tentei acalmá-la, dizendo que isso faz parte da vida de todos nós, mas fui tomada por uma angústia dilacerante. E então percebi o meu despreparo em lidar com a questão da morte.
Creio não estar sozinha, afinal, o modelo de nossa sociedade não abre espaço para pensarmos na possibilidade do fim da existência. Mesmo sendo este fim a única grande certeza da vida. Obter o prazer é o que mais nos motiva, e isso parece não dialogar com a obscuridade da morte. Mas, se isso suscita questionamentos infantis, deles não temos como desviar. Buscar o que nos conforta, dizer a verdade sem eufemismos e adequar o nosso discurso de acordo com os níveis de compreensão sobre a morte para cada faixa etária já é um bom começo. Pois talvez as grandes perguntas serão somente respondidas quando vivenciarmos nosso próprio fim. Enquanto isso, vamos vivendo para aprender! E viva a Rebeca!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Cenas que se repetem por aí...


Sábado fui almoçar com o marido, sem as crianças e com tempo de sobra para contemplar o mundo. O verde paradisíaco do restaurante, imperando nas enormes e centenárias árvores, era um natural convite para se deixar o tempo correr. Espalhados pelo jardim, alguns bancos vazios aguardavam a visita daqueles que pudessem ser boa companhia, com direito a agrados da brisa leve e fresquinha naquele dia ensolarado. O azul vibrante da piscina, com todo o seu movimento, acolhia e espelhava quem o rodeasse. E a paz estava lá para quem quisesse perceber.
Sentindo a falta dos pequenos naquele momento, passei a me distrair observando as crianças que aos poucos preenchiam os espaços com suas risadas gostosas e choros inevitáveis. E então fui atraída para uma específica cena. Um belo casal com sua única filha, tentando em vão provocar um sorriso naquele inocente rostinho. Ela parecia entediada, tinha rejeitado a comida (eu disse que estávamos num bistrô maravilhoso?), e não se mostrava disposta a mudar aquelas feições de desagrado. A não ser que a mágica do "suborno" se mostrasse eficaz...
Subitamente ela comeu, comeu, ansiosamente comeu. Não deixou um raminho de alecrim pra contar história (não, não fui xereta a este ponto...o alecrim foi uma estratégia para florear o texto...não vi o que tinha sido servido naquela mesa, rsrs). E saiu correndo com um estojinho na mão. Os pais respiraram aliviados. Começaram a saborear seus pratos com muita tranquilidade, mediante um festivo brinde com vinho branco.
Deitada num dos bancos do jardim, a menina finalmente fazia algo de que gostava. Habilidosa e concentrada, manipulava os botões daquele estojo que não era estojo, mas sim um exemplar da nova geração de games portáteis. O tempo correu, meu prato chegou, pedi a sobremesa e a conta. E ela lá. Sem perceber a brisa que balançava seus cabelos. Sem perceber o esquilo que, logo atrás de seu banco, escalava um pinheiro. Sem observar as minúsculas flores que caíam das árvores em espirais, forrando a piscina de um amarelinho singelo. Nada. Ela não percebia nada. Fomos embora. Fiquei com aquela cena gravada, com certa angústia. E me imaginei no lugar daquela criança. Seria possível existir algo mais atraente do que um videogame pra passar o tempo?
Claro que sim! Uma extensa lista de brinquedos e atividades naturalmente se formou. E, ocupando o primeiríssimo lugar, depois de admirar a exuberância daquele jardim, pensei numa lupa bem bacana para aqueles que, como a menina, não se interessam por pratos sofisticados, conversas de adultos ou ócio improdutivo. Ela gastaria seu tempo procurando por joaninhas, gafanhotos, formigas e centopéias. Vibraria com as descobertas e, orgulhosa, solicitaria a parceria de seus pais para dividir o precioso momento. Bem mais bonito, né? Da próxima vez em que voltar neste restaurante, de preferência na companhia de meus filhos, levarei lupas e afins para garantir a nossa paz. Afinal, as boas oportunidades que se abrem para as crianças dependem prioritariamente dos esforços dos pais.




quinta-feira, 17 de março de 2011

Por falar no que passou...


Quando o passado se descortina,
não sob a pena da nostalgia,
mas com a força de uma lembrança ainda viva,
é prudente recebê-lo com um largo sorriso, dar-lhe abrigo.
Pois não é sempre que ele nos presenteia com o reencontro de velhos amigos...
Passado, seja bem vindo!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Voando...


Não posso olhar para trás.
Perceber o que não foi feito,
de tudo o que foi prometido,
é assumir um fracassado tormento,
é descobrir um pranto contido,
um vôo perdido.

Então miro o agora.
Tento fazer de minhas horas,
aves habilidosas,
a razão para voar mais alto,
o desejo de olhar pra frente,
sem demora.

Feliz 2011, mesmo que tardiamente.
É um grande prazer estar de volta, mesmo sem saber quando será a próxima vez!
O que passou virou história. Está tudo guardado na memória, esperando o momento de virar um desabafo.
Impossível não abrir o berreiro...