segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Para o Leo


Lentamente fui me despedindo do mundo dos bebês, com suas incontáveis fraldas e noites em claro, enquanto presenciava - ora com orgulho, ora com certo aperto - suas primeiras e definitivas conquistas deste começo de vida. Os passos, os desejos, os traços. Nossos laços se estreitando, e você cada vez mais independente. Aprendeu a comer e a dormir sozinho, descobriu seu mundinho na escola, desenvolveu sua fala, encantou-se com o jogo de bola. Desenhou suas primeiras cenas, fantasiou-se com os heróis das histórias, saboreou as primeiras vitórias, conheceu a magia do cinema. Mergulhou nas águas do mar e no azul das piscinas. Começou a pedalar, viajou de avião. Já contestou muitos nãos e, assim, lá se foram quatro anos. Quatro anos intensos e divertidos. Porque você é um menino intenso e muito, muito divertido.
E hoje tudo o que mais desejo é que você desafie a vida sempre com este vigor contagiante. Assim você vai longe, pequeno capricorniano. Feliz aniversário. Amo você.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Volto logo.

Hoje pegarei a estrada, novamente. A praia nos espera. Deixo por estes dias algumas imagens - as primeiras de 2012, da breve (infelizmente) viagem que fiz com a família para Florianópolis, onde passamos a virada do ano. Ô lugar bonito!
Tenho me dedicado a exercitar o olhar para a fotografia, e planto aqui e agora meu desejo de fazer um curso neste ano promissor (os começos são sempre promissores, cheios de desejos).
Vou mergulhar e volto logo.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

2012


Vento batendo no rosto, chuvinha fina levando o suor, madeira rangendo sobre o mangue com o peso de meu corpo, e um 2012 já inaugurado. Simples, natural, talvez silencioso. Com tempo para cheirar ao redor, caminhar firme e sintonizar a mente com os instintos primitivos. O primeiro passo foi dado.
Em casa, uma organizada nos armários. Nada em excesso, tudo o que for essencial. E, aqui, uma mudança de lay-out muito bem vinda. Para simplificar, reduzindo o meu mundo ao que é importante agora. Se for um ano mais calado, sentiremos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Invenções num feriado chuvoso

Uma máquina fotográfica. Dois filhos cheios de minhocas na cabeça. Uma mãe doida pra espantar o tédio. Combinação perfeita para o feriado de 15 de novembro, que não deixou ninguém sair de casa por conta dos litros de água que caíram do céu.
O roteiro foi saindo conforme pensávamos nos cliques que viriam pela frente. Os pequenos escolheram seus adereços e se envolveram na história com muita diversão. Eu, sem tripé, apoiei minha câmera na escada portátil e deixei a coisa fluir naturalmente. Sem preocupações técnicas, afinal, não entendo nada de técnica. Pra amarrar tudo, uma trilha editada com cuidado, mas abusando do non-sense. É deliciosa essa liberdade que as crianças nos dão!
Depois de tudo pronto, fica a sensação de que novos vídeos virão...aguardem! E assistam!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

No dia das crianças


No dia de hoje, penso nos meus filhos, mergulho no meu papel de mãe. Mudo. Tento me imaginar criança, olho pro mundo adulto com certa inocência, e não entendo muita coisa. Questiono o complicado, simplifico grandes questões, e muitas vezes não sou compreendida. Recebo as novidades, negocio os limites, mas me perco nas explicações dos outros. Percebo os valores, imito as virtudes, e na mesma medida repito os defeitos. Não sei quando devo avançar, não sei quando devo recuar, não compreendo quando devo me calar. Preciso me sentir segura, preciso receber amor, mereço respeito à minha individualidade.
No dia de hoje, penso nos filhos do mundo, nos pequenos que sofrem. E, ao invés de sacolas cheias de presentes, desejo que os adultos que os rodeiam tentem pensar como crianças, por ínfimos instantes. Desejo que pais, tios, avós e cuidadores sejam capazes de refletir, de buscar a lucidez, de ter muita paciência. Quem sabe, assim, muitos sejam poupados do sofrimento desnecessário.
Feliz dia das crianças, apesar de toda a carga consumista que o 12 de outubro carrega!

domingo, 18 de setembro de 2011

Nem tudo se pode entender



É muita carga no lombo
Que se eu paro, eu tombo
É um fardo estranho
Uma confusão de hormônios

É uma fuga no tempo
Que eu abraço e alimento
É uma falta preenchida
Um sorridente lamento

É contar com a sorte
Que às vezes me descobre
É um foco no escuro
Uma serena desordem

É um vazio pra se lembrar
É um desejo a distorcer
É viver e revelar
Que nem tudo se pode entender

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fluxo cotidiano


A cachorra está latindo, que bom que a Benedita já chegou, "bom dia, crianças", "manhê, quero leite", "manhê, quero fazer xixi", tenho pouco tempo pro café, a geladeira está vazia, tô sem ideia pro lanche da escola, "precisa trazer a 'mistura' também", mas que trânsito, não acho meu celular tocando na bolsa, preciso checar meus e-mails e mandar umas calças pra arrumar, "débito ou crédito, senhora?", esqueci minha sacola retornável, não sei por que esse povo gosta tanto de buzinar, o freio do carro está estranho, "ainda não pôs o maiô da natação, filha?", não vai dar tempo de tomar meu banho agora, "você viu que eu consegui fazer a borboleta, mãe?", "corre pro carro senão chegaremos atrasados na escola", parece que o tempo vai mudar, esqueci de entregar o comprovante de residência pro Otavio, "lavem as mãos antes de comer", não sei se ligo de volta pra minha amiga ou tomo um banho, queria ter mais tempo pra ficar lá fora ouvindo os passarinhos, preciso carregar o celular, não consigo nunca terminar os livros que começo.
Depois de deixar as crianças na escola eu vejo se termino a música ou vou pra aula de capoeira, esqueci o CD na mesa da sala, "parem com essas provocações", qualquer hora eu pego um motoqueiro, "manhê, olha essa careta", "não posso, estou dirigindo", que bom que a estrada está fluindo, faz tempo que não vou ao dentista, eu me sinto péssima na TPM, olha aquela vaga excelente, não tinha percebido que o Leo dormiu, parece que esqueci alguma coisa, adoro andar a pé de mãos dadas com os dois, "boa aula, filha", "divirta-se, filho", algumas horas sozinha pela frente, "preciso de um favor, Dani", lá vem, vivo pros outros, nunca mais escrevi no blog, minhas unhas estão indecentes, quero muito fazer um curso de fotografia, tenho que comprar ração, tem uma gripe querendo me pegar, que dia é hoje?
Quero tomar um chazinho e um banho quente, a aula foi puxada, mais um dia sem mexer no meu disco, tudo não dá, preciso urgente de uma dermatologista, acabou a pasta de dente, não sei que roupa vestir, o tempo voa, já tenho que sair, esqueci de pagar os impostos, malditos impostos que vão pro bolso de alguém, que dor nas pernas, essa hora me dá uma fome-monstro, "alô, Daniela, é o Joel, da Kombi que você bateu", caramba, esqueci de fazer o depósito dele, as vinhetas dessa rádio me deixam ansiosa, a gasolina está no fim, não vai dar tempo de calibrar os pneus, aquela vaga está boa, ô gente estressada no trânsito, daqui a pouco o sinal toca, "Manhê, você não trouxe ainda as figurinhas pra escola?", "não tive tempo, filha", "você nunca tem tempo, mãe...você precisa tentar melhorar, viu?", deu branco no meu pensamento.